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A incumbência de quem escreve literatura

A escrita, enquanto arte (contingenciada por um permanente estado de greve), não pode se conformar a um relacionamento vertical (e nem horizontal!) com objetos de um materialismo neoliberal desmoralizado ou com os fetiches dialéticos e torpes entre o dinheiro e o mercado esquematizados e perpetrados por uma burguesia avalizada por uma lumpemburguesia viciada em neocolonização.


A escrita é o contrário de uma relação com o mercado e sua monomania pelo pragmatismo de um pseudo mundo materialista-capitalista, pois escrever literatura é subjetivar o objetivo. Quando o mundo burguês é sintropia, a escrita deve provir da mais profunda entropia. Quando o mundo burguês é entropia, a escrita tem de provir da mais profunda sintropia.


A escrita, não nos enganemos, é uma ferramenta que foi inventada pelo opressor, cujo único propósito ainda é a restrição da liberdade e a opressão através do controle da ficção (ou mito). Apesar disso, a escrita, fundamentada em um permanente estado de greve (a escrita literária), pode e deve ser tomada para servir de arma ao oprimido, para que, através dela (e não só dela), insurja o povo de toda e qualquer opressão.


Quando a escrita literária é apropriada pela base, pelos trabalhadores, ela não transfigura o oprimido em uma espécie de novo opressor, mas o aprovisiona com a qualidade daquilo que pode libertar.


A materialidade do espírito burguês é combatida pela filosofia espiritual do trabalhador.


A filosofia espiritual de quem escreve literatura deve ser o mito. A incumbência de quem escreve literatura é desaparecer enquanto escreve, até sobrar tão somente o povo e o mito. Mito, aqui, entendido como saber construído sobre algo que jamais pode ser aprisionado ou destruído: o coração do povo: a revolução.

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