Acerca do pensamento-conflito

Atualizado: Mai 10



Na quinta-feira passada (22/11) participei, enquanto plateia, de uma exposição oral sobre o pensamento feita pelo prof. dr. Weiny César Freitas Pinto, do curso de Filosofia da UFMS. A exposição foi realizada dentro da agenda do Café Filosófico, organizado pela produtora Arvore-ser e sediado no Sesc Cultura aqui de Campo Grande - MS.


Não vou discorrer sobre detalhes do que o expositor falou e nem sobre como foi o evento, apenas escreverei sobre as reflexões, provocações e questionamentos que carreguei (e formulei) após o evento.


Em determinado momento da exposição, alguém, talvez o próprio expositor, concluiu que o pensamento só pode ser uma coisa: revolucionário. Que nestes tempos presentes e nos tempos futuros, somente pensar é, e será, revolução. Mas, se pararmos para pensar sobre o que é exatamente o pensamento, podemos, assim como Krishnamurti, chegar à conclusão de que pensamento é conflito. Logo a revolução é siamesa do conflito. Não existe revolução na paz ou na resignação. Da mesma forma que não existe conflito sem pensamento.


Se pensamento é conflito, a ausência de pensamento, dentro dessa lógica, é a ausência de conflito. Aí eu pergunto: o que nós, verdadeiramente, buscamos é a completa ausência de conflito em nossas vidas? Estamos dispostos a abdicar completamente do pensamento?


Conflito é a natureza de todo pensamento. Aí não há ambiguidade, não há antônimo, muito menos antagonismo.


Se pensamento é conflito e conflito é pensamento, onde se dá, onde tem início o pensamento?


Podemos responder essa pergunta de maneira objetiva com a seguinte formulação: no tempo. O pensamento-conflito, o conflito-pensamento, só se realiza à partir do tempo.


Em qual tempo?


Em que tempo?


Sem tempo há pensamento?


No livro A Voz do Silêncio, atribuído a Helena Blavatski e traduzido para a língua portuguesa por Fernando Pessoa, em seu primeiro aforismo encontramos a seguinte sentença "a mente é o maior aniquilador do real, que o discípulo aniquile o aniquilador".


Podemos concluir que a mente é pensamento?


Se a mente é pensamento, ou se o pensamento se dá dentro da mente, podemos cogitar que o pensamento é uma espécie de mecanismo aniquilador do real. Não?


O que é o real?


O real é o contrário do que é verdadeiro?


O que constitui o real?


O tempo faz parte da realidade?


É o tempo que concebe a mente ou a mente que concebe o tempo?


Termino este texto como saí da exposição, com muitas dúvidas e reflexões. Espero que tenha provocado o mesmo em você.

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© 2020 por Leonardo T. Vieira.