[Cinema] Açúcar



Açúcar (jan. 2020) é um filme brasileiro dirigido por Renata Pinheiro (Zama, Tatuagem) e Sérgio Oliveira (Sangue Azul, Amor, Plástico e Barulho). Um filme de ritmo preciso, fotografia imaculada e uma narrativa ímpar.

Um filme belíssimo, permeado por simbolismos e crítica social, onde acompanhamos a chegada de Bethânia Wanderley (interpretada por Maeve Jinkings) à Zona da Mata onde se reencontra com suas memórias de infância e o Engenho de cana de açúcar que herdou. A protagonista não gosta do lugar onde nasceu, nem das pessoas que lá ainda vivem, e parece forçar tal situação por necessidade financeira. Bethânia, apesar de herdeira de um passado branco-escravocrata explícito, é mestiça e demonstra o desconforto e a negação através do gesto de sempre alisar o seu cabelo e outras atitudes no decorrer da narrativa. Como a maior parte da classe média brasileira, a protagonista possui uma autoimagem distorcida, vê-se como uma pessoa branca e adota todos os preconceitos e violências sociais de um branco colonizador. Bethânia se enxerga como uma senhora de Engenho voltando a suas terras.

O filme provoca uma reflexão sobre a nossa condição enquanto sociedade que, cercada por um Estado eugenista, viu em uma "determinada" época o incentivo a miscigenação, entre imigrantes e negros, como forma de embranquecer a população brasileira.

Com um suspense flertando com o sobrenatural em segundo plano e cenas e diálogos muito bem construídos e amarrados, o filme é um dos motivos do porque eu ser um apaixonado pelo cinema brasileiro. Um cinema que, desde Glauber Rocha, não tem medo de incomodar e, ao mesmo tempo, ser devastadoramente belo.


#cinema #cinemabrasileiro

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© 2020 por Leonardo T. Vieira.