Crítica do livro Ele adora a desgraça azul, de Henrique Pimenta


Uma surpresa este ano foi a leitura do livro escrito pelo sul-mato-grossense (pelo menos desde 1995) Henrique Pimenta. Ele adora a desgraça azul é um livro de contos que vai prender, e contagiar, os leitores que sabem apreciar uma literatura contemporânea resoluta e sem pieguices.


Digo sem pieguices, pois o autor, apesar de, em muitos contos, situar a narrativa em Campo Grande e outras regiões do Mato Grosso do Sul, não cai na idealização e mitificação enfadonha que muitos autores regionais amam empurrar goela abaixo via “editoras com contratos questionáveis com o governo”.


Em Ele adora a desgraça azul não existe aquela náusea de uma capital com “clima de interior” e um tema bucólico que soa pior do que uma sonda anal. Henrique faz jus ao sobrenome, sua narrativa é ardida, ácida e não foge um instante sequer da atitude intrêmula de entregar ao leitor o que ele merece.


São vinte e três contos repletos de personagens concretos, quase de carne e osso. Ou melhor, personagens tão críveis que é bem possível que você esbarre em algum deles ao andar pela cidade. Em muitos casos as protagonistas são as responsáveis pela narrativa e, consequentemente, cada conto lido é uma janela de hotel ou jaula visitada. São histórias e cheiros tão heterogêneos que seria muito fácil repetir a voz do narrador, mas Henrique Pimenta não o faz. E, mostrando uma resistência ímpar, em se tratando de literatura nacional contemporânea, entrega uma excelente coleção de contos que merecem, sem sombra de dúvidas, serem lidos e relidos. 


Ele está na linha de frente entre escritores como Rubem Fonseca, Luiz Ruffato e Dalton Trevisam (este último mencionado como contista relevante pelo próprio Henrique Pimenta).


O livro é uma publicação independente do autor. Se tiver interesse, seguem alguns links úteis:

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© 2020 por Leonardo T. Vieira.

Campo Grande, MS. Brasil.