O digital e a nossa morte.



A nossa oxigenação está acabando e o nosso organismo coletivo se desequilibrando. Hábitos como reflexão e empatia, importantes para o metabolismo de um mundo vivo e saudável, cada vez mais raros – estão deixando de existir. Os indivíduos se desestabilizam e passam a realizar uma espécie de autofagia do eu, enquanto elo de uma cadeia frágil de entes políticos, tanto de esquerda quanto de direita, engambelados pelas ferramentas neoliberais perpetradas e disseminadas como mundo virtual.

Conjuntamente, corporações famintas entram em cena e fazem da autofagia um banquete. O neoliberalismo das redes sociais avança na flora intestinal e na mucosa respiratória dos 99% da população, que já vivem na virtualidade desse organismo decadente. Em seguida, os influenciadores digitais deixam o cadáver da sociedade irreconhecível. Pensamos que estamos vivos, mas estamos mortos.

A pandemia pela qual estamos passando, só potencializa e acelera o processo de decomposição empreendido pelo mundo digital.

Memento mori!

Em tempos de século XXI e revoluções digitais, não é mais função da arte lembrar que vamos morrer. A função da arte é a de lembrar de que já estamos mortos! E precisamos, de alguma maneira, renascer.

Estamos nos decompondo, já em estágio coliquativo. O corpo físico da nossa sociedade se rompeu e podemos visualizar uma quantidade enorme de larvas estatais e insetos institucionais nos predando. Exalamos um odor tão pútrido, que é impossível evitar aquela procrastinação-autofágica nas redes sociais – redes suicidárias. Com o único fim de esquecermos da nossa própria decomposição!

Estamos mortos, mas, se nos desassociarmos, agora!, do digital, poderemos, através da arte, olhar para nossos restos mortais e devorar a carne podre, mas a carne física. Devorar até os ossos e, assim, nascer novamente.

Mortui sumus!

Já estamos mortos.

Agora é hora de renascer.


#morte #sociedade #digital #arte

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© 2020 por Leonardo T. Vieira.

Campo Grande, MS. Brasil.