Ninguém faz sexo com ninguém.


Já parou para pensar que todas as nossas relações com o outro não existem?


É quase física aplicada. Já ouviu falar da repulsão elétrica? De que dois átomos jamais se tocam? É quase por aí, mas neste caso é sobre você e suas fantasias. Sobre o outro e as fantasias dele. As nossas relações não são relações. São projeções. Quase física, se não fosse a tal da fantasia.


O mundo em que eu vivo não é o mesmo mundo em que você vive. É o mundo que eu traduzo, através da minha percepção e imaginação. É o mundo que você traduz, através da sua percepção e imaginação. E nossas percepção e imaginação estão restritas a nós. Eu sou a fronteira do mundo em que vivo. Você é a fronteira do mundo em que vive.


Quando me relaciono com o outro, não estou exatamente me relacionando. Estou, sim, projetando as minhas experiências no outro. Imaginando o outro. Não sei e nunca saberei o que o outro realmente é. Se você já tem dificuldade em saber sobre si, imagina sobre o outro. Da mesma forma o outro olha para você através das próprias projeções e fantasias dele.


Estamos limitados a nós mesmos.


E o sexo? O sexo é algo tão belo e imersivo. As pessoas estão tão próximas e íntimas umas com as outras durante o sexo.


O sexo? O sexo é uma loteria.


Ninguém faz sexo com ninguém. A não ser com a própria fantasia que tem a respeito do que seja o sexo e do que seja um parceiro sexual. O sexo é uma loteria. Digo, e repito, loteria, porque o sexo acontece quando a fantasia que eu projeto em você coincide com a fantasia que você projeta em mim. Sexo não é linguagem, muito menos um ato carnal. Sexo é imaginação. Do contrário ninguém sofreria por ser gordo ou magro, baixo ou alto, tamanho da genital, cor da pele, posição social, gênero etc.


Não digo que é impossível superar a fronteira do eu mesmo. Mas caso isso aconteça, será que ainda estaríamos falando de sexo e relacionamento?


Quando nos aproximamos, quando imaginamos tocar o outro, estamos, lá no fundo, em um nível atômico, experimentando o fenômeno onde duas partículas de cargas elétricas iguais se repelem. Elas chegam muito perto uma da outra, mas jamais se tocam. É óbvio que a repulsão elétrica pode falhar. Veja os átomos de hidrogênio que, quando ganham força o suficiente para vencer a repulsão, resultam em uma fusão nuclear.


Estamos preparados para isso?


#sexo #sociedade

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© 2020 por Leonardo T. Vieira.

Campo Grande, MS. Brasil.