O amor não existe.


É como no refrão da música dos Titãs, de autoria de Paulo Miklos, “não existe o amor / apenas provas de amor”. O amor é uma ideia. Como uma escultura, um prédio, uma canção, o amor só existe quando posto em prática por quem o imaginou – o idealizou. O escultor sonha com uma escultura, mas ela só passa a existir no momento em que o mesmo arregaça suas mangas e trabalha arduamente para que ela exista, ganhe forma, seja palpável. Mesmo uma escultura ou um prédio depois de materializados não existem por si sós, precisam de manutenção constante e um propósito. Um prédio serve para acolher espaços e pessoas, uma escultura é arte e serve para elevar, entreter e ressignificar.


Com o amor não é diferente.


Dizem que o amor é um sentimento, por isso não tem forma e nem cor.


O amor não é mais do que apenas um sentimento?


Acredito que o amor seja um coletivo de sentimentos. A amalgama de amizade, ternura, felicidade, tristeza, saudade, embriaguez...  Talvez o amor seja a necessidade de viver todos os sentimentos com uma ou mais pessoas. E não um sentimento capaz de ser numerado ou seccionado.


Quando começamos a amar?


É possível falar de algo que não existe? Quando algo “passa a” ou “deixa de” existir?


O amor deixa de existir a partir do momento em que o terceirizamos. Quando o relegamos a uma data, a uma palavra etc. Falar “eu te amo” não quer dizer nada. “Eu te amo” é uma máscara, um som. Você pode escutar o som de um piano, mas o som não é o piano. O som é produzido pelo piano, que precisa de um pianista para tocá-lo. Enquanto o pianista tocar o piano haverá som, mas sem o pianista o piano fica mudo. O som deixa de existir.


O amor não existe.


É preciso que você toque o piano.


#amor

108 visualizações

© 2020 por Leonardo T. Vieira.

Campo Grande, MS. Brasil.