O feminismo faz bem para o homem.


Costumo enxergar, lógico, de uma maneira simples e resumida, a relação de “privilégios” do homem e da mulher em nossa sociedade da seguinte forma: o homem é reprimido e doutrinado, mas desfruta de uma espécie de “liberdade condicional” para extravasar toda sua frustração por ser reprimido e forçado a ser o que não é; já a mulher, é reprimida e doutrinada e não desfruta de nenhuma espécie de liberdade, por isso sofre muito mais do que o homem.


Logo, o feminismo é uma questão mais relevante do que qualquer outro assunto que diga respeito a esta cultura onde o homem hétero é o único a desfrutar de sua “liberdade condicional”. Claro, não é a única coisa, nem a arma X, muito menos a única salvação contra um mundo repleto de preconceito, violência e ignorância. É, sim, uma ponte. Uma conexão capaz de reconstruir a complementaridade e a consciência acerca de assuntos tão importantes e indispensáveis como a integralidade da mulher na sociedade, por exemplo.


Nasci homem, branco, em uma família de classe média, estudei em escolas particulares administradas por freiras e padres católicos, foi-me imposta uma religião desde que nasci, dentre muitos outros estereótipos e papéis pré-moldados por uma cultura branca-ocidental-cristã. Desde pequeno, comecei a perceber falhas, incongruências e buracos nessa narrativa, repleta de clichês e orações mal construídas por uma sociedade de dogmas patriarcais. E, uma vez estabelecido um elo empático com um mundo realizado por muitos em contraste com uma realidade míope imaginada e imposta por poucos, comecei a passar por um processo de desconstrução, onde o feminismo apareceu para mim, não apenas como um movimento de luta pelos direitos da mulher na sociedade, mas como um espelho de afinidades que me ajudou (e ajuda) a desconstruir todos meus preconceitos e vícios nocivos, habituados por toda essa doutrinação social, religiosa e cultural.


Simone de Beauvoir, Helena Blavatsky, Radha Burnier, Annie Besant, Márcia Tiburi, Judith Butler foram algumas mulheres que, através de sua produção filosófico-literária, contribuíram para que eu me tornasse um indivíduo melhor. Além de, é claro, todos os dias procurar ouvir cada vez mais as mulheres (cis ou trans — sem preconceitos ou distinções). Documentários, livros, depoimentos, ativistas, vlogs, música e o que mais contribuir para que eu aniquile preconceitos e gestos violentos, eu acolho e estudo e procuro compreender e apreender.


A minha relação com minha esposa é um exercício substancial, e sua maneira de feminismo e nossas desconstruções diárias são fundamentais para minha evolução como ser humano. A escrita e a constante reflexão também são ferramentas indispensáveis.


O feminismo foi (e é) uma ferramenta fundamental. Mesmo tendo nascido e sido educado em uma cultura patriarcal, fui capaz de quebrar a inércia e desconstruir a crosta de linóleo do ego para, enfim, caminhar com as próprias pernas.


Como homem, aprender sobre o feminismo e aceita-lo como realidade e assunto indispensável para qualquer discussão saudável nos dias de hoje, só me fez bem.

Seja qual for a liberdade pela qual lutamos, a liberdade deve ser baseada na igualdade . (Judith Butler)

#feminismo #sociedade #política

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