Orgasmo: uma construção social?


O orgasmo, tido como o ápice do prazer sexual, talvez um dos principais fatores responsáveis pelo BOOM! de seres humanos sobre o planeta Terra nos últimos milênios, com toda certeza pode ser abordado por seu papel biológico e de manutenção e preservação da espécie dentro do espectro do prazer, mas, como este texto tem lá o seu cunho antropocêntrico, é impossível desassociar o orgasmo de toda uma construção social tão intrínseca a nós. E quando falamos de construção social, é preciso ter em mente um complexo emaranhado histórico, tanto no ocidente quanto no oriente, de doutrinação, dominação e controle da sociedade por um patriarcado monoteísta.


Aí, meu estimado (a) leitor (a), lanço a pergunta: ao contrário do prazer (característica fisiológica inerente a todos os seres sencientes), qual é o papel do orgasmo em nossa construção social?


Não aceite de imediato as respostas que sua mente irá formular, muito menos as ignore, mas observe e reflita comigo. Encare esta leitura como um exercício de reflexão e contestação do que nos é imposto.

Ao colocar o orgasmo como uma construção social é possível levantar outras questões: é uma coisa que se aprende? Se sim, é possível que seja incorporado em toda uma esfera de insatisfação e doutrinação? Orgasmo é sinônimo de felicidade? Iluminação?


Se o orgasmo é algo inerente à sociedade, então ele ocupa um lugar na esfera da linguagem, o que facilita explorarmos suas origens, pelo menos, no campo etimológico. A origem da palavra orgasmo é um tanto quanto ambígua, surgindo do grego ὀργασμός (orgaein ou orgasmos) e podendo significar tanto inchaço quanto plenitude. É somente a partir da sua forma grafada em latim, orgasmus, que a palavra, provavelmente, passou a significar “ápice do prazer sexual”.


A quem interessa o orgasmo?


Quando o orgasmo passou a importar?


Somente os seres humanos são capazes de atingir o orgasmo?


É inegável, vivemos em um modelo de sociedade que se vale da insatisfação do indivíduo para que o mesmo esteja sempre apto a consumir e pouco questionar. É por isso que muitas pessoas sentem culpa após atingirem o orgasmo? Por que o orgasmo é apenas momentâneo? O orgasmo é apenas o ápice? É algo ruim?


Talvez o orgasmo seja algo ruim, se for aceito dentro de uma perspectiva sexista onde a cultura hétero normativa o torna exclusivo do gênero masculino e relega ao estereótipo feminino, misoginia costumeira, a negação, restrição e distorção de todo conceito positivo que o mesmo possa agregar.


Sendo o orgasmo uma construção, seja de qualquer espécie, é passível de ser desconstruído e reconstruído diversas vezes tanto pelo indivíduo quanto pelo coletivo — a sociedade.


Se há somente felicidade no conceito orgasmo, é possível que esta felicidade seja repensada. Se há apenas sofrimento, é mais do que necessário que o orgasmo em si seja repensado.


Repito, a quem interessa o orgasmo?


Antes que esta digressão acidental me leve mais longe, gostaria de saber de você. Concorda que o orgasmo é uma construção social? O que você pensa a respeito do orgasmo?


Deixe sua opinião nos comentários, será um prazer transformar esse pensamento acidental em um diálogo construtivo!


#sexo #orgasmo #sociedade

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© 2020 por Leonardo T. Vieira.