Poema confinado #03




Uma série de poemas onde pretendo codificar em versos os afetos marginais de se viver em um país como o Brasil de 2020.

#03


Quarenta mil novecentas e dezenove mortes (e vinte, e vinte e uma, e vinte e duas...)

Só se comemora óbito aqui no Brazil

No resto do mundo se chora

Assim como o dia dos namorados em junho

Dia de São Valentin, é em fevereiro, há quem se importe?

Caixão e buquê de flores, aqui, só por motivo vil

O tal do Money, la hermosa plata: o capital

O brazileiro só lembra que ama em junho

Se o amor não é monetizado no sexto mês o comércio enfraquece, o Doria, afinal

E o presidente comemora o regalo que deu pra si

Quarenta mil mortes, é especial, mais do que ele podia esperar

Para quem cantava que, para o Brazil melhorar,

Pelo menos trinta mil no porão da morte: o breu, o fim

O presidente superou sua meta pessoal: de arrepiar

Amor meu, o que é o amor?

Um buquê de fuzil a semear sangue de petróleo

Um porquê infantil para fechar o negócio:

Ficção.

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© 2020 por Leonardo T. Vieira.

Campo Grande, MS. Brasil.