Poema confinado #05



Uma série de poemas onde pretendo codificar em versos os afetos marginais de se viver em um país como o Brasil de 2020.

#05

O transtorno de se viver em uma catástrofe

Onde a empatia é manifesto de subsolo

Perdigotos defenestrados pela boca fétida,

Como potência simbólica de um vírus muito mais letal,

Da boca, de um quero ser macho, enrustida

Canibalismo à brasileira no Planalto central

Rabindranath Tagore chorou, porque o sol saiu de sua vida

Nietzsche, porque um cavalo foi açoitado

Siddartha Gautama, porque havia sofrimento ao redor do castelo de seu pai

Mas foi nas lágrimas de Marçal Guarani

Que vi Nietzsche, Tagore e Gautama o sofrimento repensarem um pouco mais

O pequeno Tupã de boca sem dentes

Ainda carrega este país nas costas

Se a empatia está no subsolo

Peço licença para Marçal pra mergulhar na terra

Enxugar suas lágrimas e acabar com todo imbróglio.

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© 2020 por Leonardo T. Vieira.

Campo Grande, MS. Brasil.