Poema confinado #04



Uma série de poemas onde pretendo codificar em versos os afetos marginais de se viver em um país como o Brasil de 2020.

#04

Viva o povo brrruazileyrô!

Que mata mais

Que ignora mais

Que vira-lata mais

Que vacila mais

O vírus que transita a nação de vassalos

Não veio da China e sim dazEurrropás e dazAmérwikas do Trump!

Viva o povo brrruazileyrô!

Nosso vírus jamais será vermelho!

Nas redes suicidárias a pseudo-feminista ataca mulheres trans

O motivo?

Defende uma pseudo-escritora Branca-Burguesa-Colonizadora

Mulher é quem menstrua, é o latido vira-lata

Conclui-se que só se é mulher ao longo de trinta, trinta e cinco anos

Antes e depois se é o quê?

O indivíduo simpático não consegue ficar longe do crossfit

A turma do OM hashtag gratiluz finge que o agente sanitário sai na rua porque quer

A criança branca, atrás de sua grade-lar, distribui pipas para os filhos

Dos escravos dos seus pais

Até eu, por vezes me pego, contemplando o abismo...

Salve-me Nietzsche!

Diploma vale menos que papel higiênico

Disso não mais duvido

Desses tantos umbigocêntricos

Desses é que há tantas eu tento, eu me divido

Não me alimento de animais, porque me importo

Mas aí eu vejo o pouco caso dos humanos

E no subsolo do subsolo um resto de sangue Tupinambá

Mas não faz sentido

É pra isso que tomo vermífugo.

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© 2020 por Leonardo T. Vieira.