Todo corpo é um corpo belo e atraente.


Por uma cultura erótica sem segregação, cerceamento, objetificação e talhamento físico.


Corpo? Beleza? O que é um corpo belo? O que é um corpo atraente? O que exerce atração? A atração é exercida sobre nós ou nós imaginamos e projetamos algo como atraente para nós? Somos manipulados? Condicionados?


Não responda de imediato essas perguntas. Reflita. Não acredite de imediato nas respostas que sua mente formulará. Reflita. Resista. Não acredite. Questione.


Beleza corporal (estética) é algo em nossa sociedade que é tudo menos a constatação de uma verdade. Está mais para uma imposição através de condicionamento que visa a violência e a insatisfação (lucro). Uma ilusão doutrinadora. Vivemos uma cultura estruturada para que estejamos sempre insatisfeitos e infelizes, por isso a beleza e a atração erótica são projetadas artificialmente — fabricadas para consumo mediante pagamento (a que preço?). Obsolescência planejada.


“Ah, mas o mundo todo é assim”, alguém diz. Não! O mundo não é assim, as coisas não precisam ser assim. Vamos refletir um pouco. Questionar!


Nosso corpo, enquanto forma, é nada mais que a estrutura física que abrange nossas funções fisiológicas. Assim como o corpo de qualquer outro organismo vivo. Em nosso caso, como seres humanos, ainda podemos arriscar dizer que nosso corpo permite que substancializemos nosso ser, enquanto indivíduos pensantes, questionadores e manipuladores do ambiente ao nosso redor. E, justamente por ser uma estrutura física, biológica e substancializadora do ser é regra (e não a exceção!) que seja a mais diversificada possível.


Tudo isso enquanto objeto material, mas sabemos que é muito mais. O corpo humano é, também, contextualizado enquanto arte, filosofia, sociedade, indivíduo, pensamento, meio, comunicação…

Meu intuito com esse texto não é discorrer detalhadamente cada ramificação do tema corpo e beleza erótica, mas sim provocar inquietação, levar ao movimento, fazer pensar. E longe de apresentar alguma conclusão.


Você está insatisfeito com o seu corpo? Por quê? Você se projeta em outros corpos? Quais corpos? Corpos de artistas de cinema? Outdoors de academia? Você frequenta a academia mais preocupado em encaixar seu corpo em um padrão do que com a saúde de seu coração? Você está insatisfeito (a)? Sente-se atraente? Por que não?


Desde os corredores e salas de uma escola convencional até a indústria pornográfica, passando por incontáveis níveis e camadas de nossa sociedade, a padronização e a imposição do que é um corpo belo e atraente é um instrumento monstruoso, uma gigantesca máquina de sofrimento e insatisfação.

O corpo é política?


Sim. O corpo também é política.


Quando uma pessoa é segregada, julgada e/ou violentada (fisicamente, socialmente…) por seu corpo estar ou não estar dentro de algum padrão de beleza estética e erótica, a política, enquanto corpo integrante de um coletivo, tem que se manifestar, lutar, ajudar e ser ajudado. A política do corpo deve ser uma política da consciência.


Gordo (a), magro (a), alto (a), baixo (a), com estrias, sem estrias, forte, flácido (a), com pelos, sem pelos, negro (a), branco (a), vermelho (a), amarelo (a), transexual, operado (a), não operado (a), atrofia, distrofia, cadeirante, com silicone, sem silicone, rugas, sobrancelha, monocelha…


Todo corpo é belo e atraente.


Afinal, é a xícara ou o chá que tem sabor?


#corpo #política #sociedade

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© 2020 por Leonardo T. Vieira.

Campo Grande, MS. Brasil.