Um esboço transcrito de meus cadernos de notas



Sim, sou bem analógico. Escuto música em disco de vinil, leio e coleciono livros físicos, jogo jogos de tabuleiro e ando para cima e para baixo com cadernos de nota.

Um caderno de nota é onde anoto tudo que julgue relevante no momento. Seja um pensamento, um sonho, um acontecimento que presenciei, uma fala de algum desconhecido na rua, uma conversa alheia na sala de espera de uma clínica, o grafite em um terreno baldio, ilustrações abstratas, rabiscos de formas não “anatômicas” de um texto etc.

Não dato o que escrevo no caderno, porque sei que muito do que escrevi, na hora que eu utilizar em algum texto, será mesclado, costurado e amalgamado.

Aqui vou mostrar um texto transcrito do jeito que está em meu caderno e em seguida vou reescrever dentro do que eu considero minha estética.

Transcrição:

Crispim não se ajoelhou.

Não se ajoelhou por nada.

Não era orgulho ou coisa do tipo. Percorria insubstancialmente as paredes do estômago do seu espírito.

O homem branco, covarde, colonizador, degredado, degenerado, tentou e tentou impor suas incongruências.

Tentou. Apenas tentou.

Crispim era força e resistência.

Reescrita:

Crispim não se ajoelha por nada e nem por ninguém.

Há muito mais do que a pepsina e o ácido clorídrico do orgulho percorrendo as paredes estomacais de seu espírito.

Sob a pele negra corre força e resistência.

O covarde-branco de classe média pode tentar dobrar os joelhos de Crispim, mas não passará disso.


#escrita #reescrita

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© 2020 por Leonardo T. Vieira.